terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Boneco de Porcelana


 Era meia noite. O galo cantava pela terceira vez. Nina estava sem conseguir dormir. Resolve ir à cozinha e fazer um suco de maracujá para ver se o sono vem.
   Desce lentamente a escada do velho sobrado. Um arrepio atravessa todo seu corpo. Frio? Claro que não. Era uma quente noite de abril. O sobrado com suas paredes grossas e revestidas de pedra de castelo, tornava o clima mais abafado ainda.
   Dizem que quando acontece isto com a gente – pensa ela, é algum espirito que está ao nosso lado.
   Nina nunca fora medrosa. Nunca sentia medo de nada e até mangava dos colegas que tinham medo de fantasmas. Novamente aquele arrepio. Os pés de nina tremem-se de tanto medo. Ela olha para um lado e para outro, mas não ver nada. Pensa em gritar, mas seria ridículo gritar ali, àquela hora da noite. Iria apenas acordar seus pais e seu irmão que iriam gargalhar daquela terrível besteira dela.
   Ela nota que ainda está segurando o corrimão da escada e que não desceu nenhum degrau. O silencio era muito grande, interrompido de vez em quando apenas pelo cantar do galo ou pelo barulho dos grilos.
   De repente alguém a toca por trás. Com certeza seria seu irmão Bebeto. Olha sorrindo e ver uma cara desfigurada, olhos esbugalhados e sangrando, os dentes crescidos e a boca também suja de sangue, a roupa toda esfarrapada. Pensa em gritar, correr ou dar um soco naquela criatura, mas não consegue nem se mover, nem falar nada. Fica paralisada, como em um pesadelo. Queria ela que aquilo fosse apenas um pesadelo, mas não é. Jura nunca mais assistir filmes de terror, nem ler livros de vampiros e zumbis.
   Enfim ela consegue se mover. Desvia-se rapidamente do monstro e corre para o quarto, fecha a porta e joga-se na cama, cobrindo-se com dois lençóis, achando que os lençóis a livrariam de todos os monstros que poderiam existir.
   Sente algo frio tocando a sua barriga. Seu coração acelera-se e começa a tremer se toda. Grita aterrorizada, mas tem coragem de olhar e ver apenas um boneco de porcelana que seu irmão Bebeto deixara em cima da cama dela.
   Será que aquele monstro não era apenas Bebeto que se vestiu de zumbi para lhe amedrontar? A curiosidade era grande, mas o medo era maior.
   No dia seguinte, durante o café da manhã, Bebeto a olhava com cara de quem aprontou alguma coisa. Ela olhou para ele com a cara ruim e falou – nunca mais faça aquilo viu seu pivete? Ele começou a rir, mas por ver a cara ameaçadora de sua mãe prometeu que não faria mais.
   Quando anoiteceu, Nina estava sem sono novamente. Agora não existia mais medo, pois sabia que aquele monstro era apenas Bebeto que se fantasiara. Desceu rapidamente a escada e quando ia abrindo a geladeira, alguém a tocou. Ela olhou e viu Bebeto novamente disfarçado de monstro e falou – isto não tem graça Bebeto.
   Ele a agarrou e saiu levando-a para a floresta escura. Nina só pode perceber que ele não era Bebeto quando o monstro começou a devorá-la.
   No dia seguinte ao notar a falta de Nina, Bebeto jura inutilmente que se ela voltar nunca mais deixaria seu boneco de porcelana na cama dela, para assustá-la. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário